Thiago Lins
Da equipe do blog
Placas luminosas, faixas, bandeiras, holofotes, carros de som e uma militância com mais cara de coluna social do que de rua: o candidato do PSB à Prefeitura do Recife, Geraldo Julio, apresentou suas armas no primeiro grande ato da campanha socialista, encerrado há pouco, no Largo da Regina, em Nova Descoberta , Zona Norte do Recife.
O ato teve início por volta das 19h30, saindo do Sesi do Vasco da Gama, a três quilômetros dali, distância que foi percorrida em duas horas e meia, com empurra-empurra e até alguma histeria. O que é de surpreender, levando em conta o desconhecimento de Julio junto à periferia, admitido pelo próprio governador e padrinho, Eduardo Campos, durante a inauguração do comitê de Julio, no último domingo (22).
Eduardo não compareceu ao evento, que contou com diversas lideranças da Frente Popular, entre elas Sileno Guedes. O socialista atribuiu a escolha da localidade à densidade populacional na área, “um peso fundamental para a cidade do Recife”, sem mencionar planos específicos para o local, frisando apenas que a região necessita de “intervenções e muita atenção”, mostrando sintonia com o discurso de Julio, que já chegou a afirmar que, caso eleito, zera os pontos de risco no Recife.
Ao longo da caminhada, o outrora gerentão de Eduardo revelou seu lado popular, fazendo corpo a corpo no comércio e nas casas da região. Bem recebido a até reconhecido, em parte por causa dos muitos proporcionais que o apoiam no local, estampando seu rosto em diversas peças de campanha, Julio parece ter “destravado”.
Chegou a tocar percussão junto à militância e até a puxar uma ola, quando subiu no carro de som para discursar. Efusivo, não poupou abraços e apertos de mão. Por duas vezes, aproximou-se de famílias carregando crianças no colo. Entretanto, ficou devendo a cena clássica de todo candidato que se preze: levantar crianças nos braços, para a decepção da produtora Urso Filmes, que registrava cada movimento do candidato, volta e meia afastando a reportagem com certa hostilidade.
Chegou a tocar percussão junto à militância e até a puxar uma ola, quando subiu no carro de som para discursar. Efusivo, não poupou abraços e apertos de mão. Por duas vezes, aproximou-se de famílias carregando crianças no colo. Entretanto, ficou devendo a cena clássica de todo candidato que se preze: levantar crianças nos braços, para a decepção da produtora Urso Filmes, que registrava cada movimento do candidato, volta e meia afastando a reportagem com certa hostilidade.
Embaixo de chuva - batizada por um eleitor de 'chuva 40' -, o corpo a corpo prosseguiu até o Largo da Regina, onde o candidato discursou em cima do carro de som. Julio fez um discurso parecido com o de domingo, de forte apelo emotivo, falando em “sonhos e esperança”, além de propostas genéricas para áreas como saúde e cultura. Sua fala foi pontuada por aplausos da militância.
O ato do socialista, que não decolou nas pesquisas, serviu para mostrar que, se ele não tem tantos votos, por outro lado, já cumpre um papel elementar da política: a ocupação de espaços (com um empurrãozinho da máquina).
“Foi uma caminhada muito bonita, a campanha está cheia de grandes atos mostrando a força da Frente Popular”, definiu Julio, que falou com a reportagem ao descer do carro de som, onde era apresentado como o candidato “da paz”. O sistema de som repetia sem parar que “o tempo da confusão” (numa estocada à guerra civil petista) tinha acabado.
A poeira pode estar baixando no PT. Mas o fato é que a briga pela Prefeitura está só começando, e os socialistas provaram seu poder de fogo hoje.
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