A pouco menos de dois meses para a eleição, o PT, mais uma vez, dá mostras de que unir é um verbo difícil de ser conjugado. Se por um lado, o grupo do candidato a prefeito Humberto Costa (PT) busca recriar canais de diálogos com o prefeito João da Costa – preterido da disputa municipal – e aliados para restabelecer a paz interna nas hostes petistas, por outro, seguidores do gestor reclamam da falta de gestos por parte da ala de Humberto e do vice, João Paulo (PT). O ex-prefeito, inclusive, continua sendo alvo da maioria das críticas dos interlocutores do chefe do Executivo.
Há dez dias o senador Humberto Costa vem intensificando a agenda de conversas com petistas ligados a João da Costa. Já dialogaram com o prefeiturável o deputado estadual André Campos (PT), a deputada Teresa Leitão e o presidente da corrente PTLM, Gilson Guimarães, por exemplo. Ouvidos pelo Blog, o consenso de alguns a total falta de gestos políticos para reatar o “clima de romance” no PT. Há quem se queixe, ainda, de ataques promovidos pelo grupo de João Paulo. E há quem cobre melhor avaliação da cúpula nacional do partido no que se refere à questão de fidelidade partidária.
“Não tem nenhum fato novo e nem gesto para reaproximação. Não é só simplesmente aderir e esquecer o que aconteceu. Até agora do grupo (de João da Costa) só os candidatos a vereador se aproximaram deles, ainda assim por conta da questão eleitoral e timidamente”, afirmou André Campos. O petista cita o caso dos vereadores Osmar Ricardo, Jairo Brito e do candidato Jorge Perez, que já participaram de atos de Humberto. ”Mas se você observar, nem eu, nem Teresa (Leitão/deputada estadual), nem Ferro (deputado federal) e nem Oscar (Barreto/presidente municipal do PT) se aproximou deles. Muito menos o prefeito João da Costa”, cravou.
Procurado para uma conversa na segunda (6), o deputado federal Fernando Ferro reclamou que ainda observa ataques de pessoas de dentro do partido aos petistas ligados ao prefeito João da Costa. O motivo seria a não adesão à campanha de Humberto. “Na conversa, falei das nossas dificuldades em aderir à campanha, mas deixei claro que não farei campanha para qualquer outro candidato, até porque isso pode acarretar problemas para mim. Falta agregar e buscar a unidade no partido. Depois de tudo o que aconteceu, nós ainda estamos sendo atacados frequentemente, nas redes sociais, por não ter aderido à campanha de Humberto. Mas não entramos porque não ocorreram gestos para isso”, alfinetou o parlamentar.
Em recado ao coordenador da Comissão de Ética do PT nacional, Francisco Rocha da Silva, o presidente da corrente PTLM, Gilson Guimarães, cobrou uma profunda reflexão do correligionário acerca da questão de fidelidade partidária. “João Paulo passou dois anos ameaçando sair do partido e, no final, disse que tinha um salvo-conduto do presidente Lula para ficar e não estar com João da Costa. Está na hora de Rochinha fazer um retrospecto. Antes de cobrar fidelidade ao PT, é bom ele repensar e ver quem foi mais fiel ao partido, se ele (João Paulo) ou a gente. Em conversas com a militância, vejo que muita gente não engoliu, por exemplo, ser chamado de maloqueiro, como Dilson Peixoto fez”, cutucou.
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