O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB-PE) minimizaram o aumento da vantagem da presidente Dilma Rousseff e mostraram sintonia em suas avaliações feitas à Folha sobre o futuro do quadro sucessório --que, na visão deles, traz preocupação ao PT.
'O mais relevante é que dois terços da população querem mudança. Somente no momento em que os intérpretes da mudança [oposição] puderem oficialmente falar para o conjunto da sociedade é que esse sentimento se transformará em intenção de voto', disse Aécio.
EDUARDO: O JOGO NÃO COMEÇOU
Campos reforçou a análise: 'O jogo ainda não começou, porque a maioria da população ainda está distante do debate sucessório. Agora, quando é chamada a pensar sobre a sucessão, mostra que já tomou a decisão de mudar'.
Segundo o Datafolha, 66% dos entrevistados querem que o próximo presidente adote ações na maior parte diferentes das de Dilma. Só 28% querem ações iguais.
Mas em todas as simulações o cenário que parece mais provável é também aquele em que Dilma se sai melhor. Ela tem 47% das intenções de voto contra 19% de Aécio e 11% de Campos. Em outubro, Dilma tinha 42%, o tucano, 21%, e o socialista, 15%. Os dois apostam que crescerão quando a campanha começar de fato.
LULA: MARINA É O CALO DE EDUARDO
Para Campos, o 'sentimento de mudança nessa proporção e com essa antecedência não se via nos pleitos anteriores. Nesta hora, o que se vê é o desconhecimento de candidatos que nunca participaram de uma eleição majoritária nacional'. Campos e Aécio nunca disputaram eleições nacionais.
'Em 2009, Dilma vinha atrás nas pesquisas, mas o sentimento de continuidade era forte, e ela foi eleita em 2010. Agora, é mudança', disse o senador mineiro.
Em reunião com peemedebistas na sexta, o ex-presidente Lula disse que o cenário seguirá favorável a Dilma e que Campos tem um complicador pela frente: a ex-senadora Marina Silva, tida pelo ex-presidente como difícil e sectária.
No encontro, Lula afirmou que Marina puxará Campos para baixo na eleição. Segundo o Datafolha, Dilma só não venceria a eleição no primeiro turno nos cenários em que a ex-senadora é candidata. (Folha de S.Paulo - Natuza Nery, Márcio Falcão e Marina Dias)
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