Punição é clamor da sociedade
Sete anos após o maior escândalo da República, o Supremo Tribunal Federal começou a julgar, ontem, os 40 réus do mensalão, esquema de aliciamento de parlamentares montado pelo ex-ministro José Dirceu, com recursos públicos, para garantir maioria de votos da base do Governo Lula no Congresso.
Na sua peça acusatória, o ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza classificou-o como a ação de uma “sofisticada organização criminosa” destinada a comprar apoio de partidos para o projeto político do PT e do ex-presidente Lula.
Na apresentação de memorial concluído na semana passada, o atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel, chamou-o de “o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”.
Em sua defesa, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, diz que tudo não passou de um acerto financeiro feito entre ele e o empresário Marcos Valério para a concessão de um empréstimo para saldar dívidas de campanha do partido e de aliados.
José Dirceu vai mais além: segundo ele, o mensalão não existiu, trata-se de uma invenção do presidente do PTB, Roberto Jefferson, motivada por sentimentos de vingança. Cada um tem o direito de falar o que quiser, mas o Supremo não pode frustrar a sociedade. A punição dos 40 réus é algo imperativo.
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